Intercâmbio Brasil-China
A doutoranda Caroline Guimarães do PPGCOM foi selecionada para o Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica e embarcará para um intercâmbio de quatro semanas na Universidade de Beihang.
Em julho, um menino completa seis anos em Goiânia. No dia do seu aniversário, porém, sua mãe estará a milhares de quilômetros dali, do outro lado do planeta, em Pequim. À primeira vista, parece uma ausência. Mas é justamente o contrário: é uma das formas mais elaboradas de presença que Caroline Guimarães conseguiu imaginar. “Acredito que grande parte das minhas escolhas acadêmicas sempre esteve ligada ao desejo de construir mais oportunidades para nós dois”, diz ela, mãe solo, doutoranda e, agora, uma das selecionadas para cruzar o mundo em nome da pesquisa.
Caroline, que cursa o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Goiás (PPGCOM/UFG), sob orientação da professora doutora Kátia Kelvis, foi aprovada no Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, iniciativa da Capes em parceria com a Universidade de Beihang. A seleção lhe garante uma mobilidade de curta duração: quatro semanas dedicadas a um projeto desenvolvido na fronteira da ciência e da tecnologia, em um dos polos mais efervescentes da inovação mundial.
PESQUISA
O projeto de doutorado de Caroline investiga as transformações nas dinâmicas de poder e nos comportamentos sociais decorrentes da comunicação mediada por inteligência artificial (IA) nas plataformas de redes sociais. O estudo busca compreender de que forma os sistemas de recomendação e os agentes generativos redefinem a legitimação de autoridades no ambiente digital.
A pesquisa parte da hipótese de que a autoridade contemporânea não se restringe a um atributo do emissor, mas constitui um fenômeno coproduzido pelos algoritmos, contexto em que a chamada “autenticidade” frequentemente se configura como uma performance otimizada para os sistemas de busca e recomendação. O tema, segundo a doutoranda, é central para a análise dos processos comunicacionais atuais e ganha novas perspectivas quando examinado a partir do ambiente tecnológico chinês.
Além disso, Caroline faz questão de destacar que não está trilhando este caminho sozinha. Atribui boa parte da conquista à orientadora, a professora doutora Kátia Kelvis. “Muitas vezes acreditou mais em mim do que eu mesma”, reconhece, sobre quem chama de “orientadora incrível”. “Eu sou muito grata pelo suporte que eu tenho recebido dela nessa trajetória.”
INTERCÂMBIO
A experiência internacional permitirá o desenvolvimento de competências por meio da participação em um projeto de curta duração voltado à inovação científica e tecnológica, ampliando o alcance do conhecimento na área da Comunicação.
Questionada sobre que orientação daria a pesquisadores que pretendem viver uma experiência internacional, Caroline recomenda não condicionar a decisão a um preparo absoluto. “Não espere ficar totalmente preparado para isso, porque eu acho que nunca vamos estar totalmente preparados. Se tiver oportunidade, vá”, diz.
Para ela, a viagem também tem caráter formativo no plano familiar: “É uma forma de mostrar para o meu filho que vale a pena sonhar alto e acreditar. Mostrar para ele que, por meio da educação, por meio do estudo, eu posso chegar longe e inspirar ele a fazer o mesmo.”
A conquista, que extrapola o feito individual, reforça o potencial da pós-graduação em Comunicação da UFG e estreita o diálogo entre centros de pesquisa de dois países separados por um oceano e onze fusos horários.
PROGRAMA BRASIL-CHINA
O Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica seleciona propostas institucionais para indicar pós-graduandos de instituições brasileiras de ensino superior a uma mobilidade de curta duração, na modalidade capacitação, na Universidade de Beihang. A iniciativa é destinada a mestrandos, doutorandos e docentes dessas mesmas instituições.
Entre os objetivos do programa estão promover o intercâmbio de jovens líderes entre Brasil e China, formar futuros líderes em inovação nos dois países e aprofundar a cooperação científica e tecnológica entre as nações. A proposta também pretende apoiar as instituições brasileiras na integração entre ciência, indústria e educação, ampliar o conhecimento de docentes e pós-graduandos brasileiros sobre o ambiente científico, tecnológico e educacional chinês e contribuir para a circulação acadêmica entre universidades dos dois lados.
Na modalidade capacitação, os pós-graduandos contemplados recebem mensalidade, auxílio seguro-saúde e auxílio deslocamento; aos docentes, são previstos diárias, além dos mesmos auxílios. As inscrições são gratuitas e feitas exclusivamente pela internet, mediante preenchimento de formulário ao qual devem ser anexados os documentos obrigatórios descritos em edital. Para mais informações, acesse a página oficial da Capes.
Para Caroline, contudo, nenhum desses itens cabe inteiramente numa planilha de benefícios. O que ela leva na bagagem é mais difícil de medir — e o que pretende trazer de volta, mais ainda. Em julho, enquanto um menino sopra as velinhas em Goiânia, sua mãe estará em Pequim, aprendendo a olhar de perto o futuro que sonha construir para os dois e representando com orgulho o PPGCOM/UFG.
Texto de Isis Borges