Reportagem

Discente em Doutorado Sanduíche

Por meio de intercâmbio na Espanha, o doutorando Fabrício Soveral aprofunda o estudo do uso das mídias sociais na participação pública, num viés da cidadania comunicacional.

Pesquisador do PPGCOM participa do Programa de Doutorado Sanduíche

Em março de 2023, Fabrício Soveral iniciou uma nova jornada acadêmica, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Goiás (UFG), no curso de Doutorado. Atualmente, o novo ambiente de pesquisas dele é a Universidade de Santiago de Compostela, na Galícia, Espanha. Ele integra o Programa de Doutorado em Comunicação e Informação Contemporânea, sob a supervisão da professora Berta García Orosa. Até fevereiro de 2026, esse será o cenário em que o doutorando dará continuidade aos seus estudos sobre a participação pública da sociedade contemporânea via mídias sociais.

O sistema sanduíche proporciona a oportunidade de o estudante iniciar e terminar o curso em sua universidade de origem, mas com um período de estudos (o "recheio" do sanduíche) em outra instituição, aprofundando olhares e teorias a respeito da pesquisa em desenvolvimento. E é exatamente essa visão que permite ao estudante enxergar o amadurecimento e as transformações do estudo.

“A pesquisa vem sofrendo mudanças desde o início do doutorado, algo comum para o pós-graduando, porque, com o tempo, o estudo vai tomando caminhos mais específicos. A ideia do tema surgiu pela percepção de que as mídias sociais digitais estavam sendo cada vez mais usadas para a comunicação cidadã. Verifiquei que existiam pesquisas sobre a temática, mas com muitas lacunas para serem preenchidas e aspectos para serem aprofundados”, detalha o pesquisador.

 A atividade de pesquisa vai além das leituras e escrita, requer um olhar flexível sobre os campos de estudos, históricos e obstáculos que surgem. A fim de compartilhar a experiência, Fabrício conta dois dos principais desafios enfrentados até agora, diante do andamento do estudo.  “O primeiro foi compreender que o doutorado significa amadurecimento acadêmico e isso só ocorre com o tempo, com os primeiros erros e com as transformações necessárias no processo de pesquisa; o segundo, foi em relação às definições metodológicas que, enquanto não estão bem consolidadas pelo pesquisador, atrasam e geram dúvidas sobre o trabalho que está sendo realizado”, detalha.

Hoje em dia, o doutorando está na fase de escrita da tese pós-qualificação. Ele relata que, por meio das das contribuições da banca na qualificação, foi possível priorizar aspectos da pesquisa e compreender melhor o campo de estudos. As leituras, por exemplo, ajudaram o pesquisar a sair de um olhar otimista em relação à função das redes sociais, para um entendimento bem mais amplo, em que a polarização política-ideológica, as bolhas, as câmaras de eco e o capitalismo de dados são uma realidade. “Os principais achados nas leituras foram as diversas visões sobre o mesmo tema. No caso do uso das novas tecnologias digitais de comunicação e informação, por exemplo, as primeiras produções acadêmicas apresentavam um olhar muito otimista. E agora, vários autores indicam em pesquisas aspectos não tão positivos e que são muito importantes para a sociedade”, esclarece o doutorando

Aos alunos que estão ingressando nos cursos de mestrado e doutorado, Fabrício deixa uma importante dica: “invistam no estudo da metodologia da pesquisa! Acredito que é algo que não aprofundamos na graduação e sentimos uma deficiência quando ingressamos na pós-graduação”. Segundo ele, quanto mais definida a metodologia e quanto o pesquisador dominar o método, mais clara ficará a pesquisa e menos incertezas surgem no caminho.

Por Laila Santos - Comissão de Comunicação do PPGCOM